Infraestrutura comparada por tipo de sistema
Cada tipo de sistema de ar condicionado exige infraestrutura diferente — split pede bitola fina e ponto monofásico, multi-split aumenta tubulação e pode exigir trifásico, VRF precisa de tubulação mais robusta, shaft dedicado e rede de controle, e dutado adiciona forro rebaixado amplo. O tipo certo depende do projeto, mas a infra certa precisa ser decidida antes.

A infra manda na escolha do sistema — ou vice-versa
Cliente costuma escolher o tipo de sistema antes de checar se a infraestrutura comporta. Resultado: projeto trava na obra porque o shaft não aceita a bitola do VRF, o quadro elétrico não comporta o ponto trifásico, ou o forro não tem altura para o dutado. A sequência correta é inversa — decidir a infra possível e só então escolher o sistema.
Este conteúdo é uma tabela viva. Serve tanto para quem está projetando obra nova (define a infra antes do contra-piso) quanto para quem vai instalar em obra pronta (descobre o que cabe no que existe). Em ambos os casos, conhecer o requisito antes evita retrabalho.
Tabela comparativa — o que cada sistema exige
| Requisito | Split | Multi-split | VRF | Dutado | |---|---|---|---|---| | Bitola típica (líquido/gás) | 1/4''–1/2'' | 1/4''–5/8'' | 3/8''–7/8'' | Igual split/multi | | Nº de unidades externas | 1 por evap. | 1 p/ até 5 evap. | 1 p/ até 64 evap. | 1 p/ sistema | | Ponto elétrico | Monofásico 127V/220V | Mono ou trifásico | Trifásico (maioria) | Mono ou trifásico | | Shaft dedicado | Dispensável | Recomendado | Obrigatório | Para dutos | | Forro rebaixado | Dispensável | Dispensável | Depende da evap. | 30–40 cm | | Raio de curva da tubulação | 10 cm mínimo | 15 cm mínimo | 25–30 cm | Igual split | | Rede de controle | Não | Limitada | Sim (BUS) | Limitada | | Dreno (gravidade/bomba) | Gravidade | Gravidade | Depende | Gravidade | | Acesso para manutenção | Fácil | Médio | Difícil sem planejamento | Alçapão no forro |
Detalhes que fazem diferença na obra
Bitola e comprimento da tubulação. Cada fabricante define comprimento equivalente máximo entre evaporadora e condensadora. Em split 9.000 a 12.000 BTUs, tipicamente até 15 metros. Ultrapassar esse limite sem recalcular carga de gás gera desempenho abaixo do projetado. Em VRF, o limite chega a 150–165 m de tubulação total, com sublimites entre evaporadoras.
Ponto elétrico dedicado. Cada evaporadora e cada condensadora precisa de disjuntor próprio, bitola compatível com a corrente de partida e aterramento. Em VRF trifásico, o ponto no quadro precisa reservar polo para a partida do compressor (corrente alta momentânea).
Shaft para tubulação. Em prédio, o shaft vertical que leva tubulação entre evaporadoras e condensadora precisa ter espaço suficiente para isolamento térmico (evita condensação). Multi-split usa shaft moderado; VRF exige shaft dedicado com acesso para manutenção.
Forro rebaixado. Dutado pede forro amplo (30–40 cm) para evaporadora + dutos. Cassete exige forro de 25–30 cm. Piso-teto dispensa forro. Split parede é o mais flexível — não depende de forro.
Raio de curva do cobre. Tubulação de cobre dobrada em raio menor que o mínimo do fabricante achata internamente e reduz passagem de refrigerante. Em VRF com bitolas maiores, o raio mínimo é crítico — algumas curvas exigem conectores de raio amplo em vez de dobra direta.
Decisão orientada pelo que já existe
Apartamento pronto, shaft estreito: split ou multi-split são os únicos viáveis.
Apartamento em obra, pé-direito alto, orçamento amplo: multi-split inverter ou VRF pequeno, com evaporadoras em forro rebaixado.
Casa térrea com laje técnica: qualquer sistema. Aqui a escolha é técnica e orçamentária, não restritiva.
Cobertura duplex com 10+ zonas: VRF pequeno ou médio, com uma condensadora bem posicionada.
Escritório corporativo em prédio novo: VRF é padrão — o projeto já prevê shaft e elétrica para isso.
Galpão industrial: split industrial teto, piso-teto ou sistema central com dutos.
O que antecipar no projeto arquitetônico
Arquiteto que pensa ar condicionado desde o início economiza 30% do custo total do sistema. Prever shaft vertical adequado, deixar pontos elétricos dimensionados, reservar altura de forro onde a evaporadora vai ficar, definir posição da condensadora em local ventilado — tudo isso é decisão de projeto. Empurrar para depois é o caminho que eleva custo e compromete estética.
A DYA analisa infraestrutura e orienta escolha de sistema em toda capital, Grande SP, ABC e litoral paulista, em obra nova e pronta.
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Perguntas frequentes
- Posso trocar de tipo de sistema depois da obra pronta?
- Em alguns casos, mas com custo alto. Trocar split por multi-split sem refazer paredes é possível se o shaft original previa espaço. Trocar para VRF quase sempre exige reforma — bitola maior, shaft dedicado, ponto trifásico. A decisão do tipo precisa estar firme antes do reboco, não depois.
- Qual bitola de cobre cada sistema usa?
- Split residencial: 1/4'' e 3/8'' para até 12.000 BTUs; 1/4'' e 1/2'' para 18.000–24.000 BTUs. Multi-split: bitolas individuais por evaporadora, mais tronco principal maior. VRF: 3/8'' a 7/8'' conforme a arquitetura, frequentemente com bitola dupla para líquido e gás. Dutado: mesma lógica de split ou multi-split, mais rede de dutos de insuflamento.
- Ponto elétrico trifásico é sempre necessário em VRF?
- Em VRF a partir de 8 HP (aproximadamente 22 kW), trifásico 220V ou 380V é regra. Sistemas VRF residenciais menores (4 a 6 HP) ainda operam em monofásico 220V em São Paulo, mas a tendência do projeto moderno é já prever trifásico por margem de expansão.
- Forro rebaixado é obrigatório para dutado?
- É. Dutado exige forro rebaixado amplo (mínimo 30 cm, idealmente 40 cm) para acomodar evaporadora, dutos e acesso de manutenção. Sem esse espaço, o dutado não entra — a alternativa é cassete (forro de 30 cm suficiente) ou piso-teto (sem forro, mas aparente).
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